O navio de expedição polar MV Hondius, da empresa holandesa Oceanwide Expeditions, se tornou alvo de uma emergência sanitária internacional após um surto de hantavírus deixar ao menos três mortos e vários passageiros infectados durante uma viagem pelo Atlântico Sul.
A embarcação, que transporta cerca de 150 pessoas entre passageiros e tripulantes, estava retida próximo à costa de Cabo Verde enquanto autoridades de saúde avaliavam os riscos de contaminação. Nesta quarta-feira (6), três pacientes foram retirados do navio para receber atendimento médico especializado na Europa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), já foram identificados sete casos ligados ao surto, dois confirmados laboratorialmente e cinco suspeitos. Entre os infectados, três morreram e um paciente segue em estado grave.

Variante rara preocupa autoridades
O maior alerta das autoridades sanitárias envolve a possível circulação da cepa andina do hantavírus, uma variante rara identificada na América do Sul e conhecida por, em casos específicos, permitir transmissão entre humanos.
A suspeita ganhou força após autoridades da África do Sul confirmarem a presença da variante em uma das vítimas. Diferente da maioria dos hantavírus, normalmente transmitidos pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados, a cepa andina pode se espalhar entre pessoas por contato próximo e prolongado.
Apesar disso, a OMS reforçou que o risco para a população mundial continua considerado baixo.
Navio ficou isolado no Atlântico
O MV Hondius realizava uma viagem de luxo voltada para turismo de natureza e expedições polares. O cruzeiro partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, passou pela Antártida e por ilhas remotas do Atlântico Sul antes do surto ser identificado.
As autoridades de Cabo Verde inicialmente impediram o desembarque de passageiros para evitar riscos sanitários. Equipes médicas embarcaram no navio utilizando equipamentos de proteção para atender os doentes e monitorar possíveis novos casos.
A Espanha confirmou que o navio deve seguir para as Ilhas Canárias, onde passageiros e tripulantes poderão receber atendimento e suporte médico.
Passageiros vivem rotina de isolamento
De acordo com relatos divulgados pela imprensa internacional, os passageiros permanecem confinados em suas cabines enquanto protocolos rígidos de desinfecção e monitoramento são aplicados dentro da embarcação.
A operadora Oceanwide Expeditions informou que medidas de emergência foram ativadas, incluindo isolamento dos casos suspeitos, reforço sanitário e acompanhamento médico constante.
O que é hantavírus?
O hantavírus é uma doença rara que pode provocar febre hemorrágica e síndrome pulmonar grave. A transmissão normalmente ocorre pela inalação de partículas contaminadas por secreções de roedores infectados.
Os sintomas incluem:
- febre;
- dores musculares;
- dificuldade respiratória;
- tosse;
- fadiga intensa.
Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e morte.
Segundo especialistas, a taxa de mortalidade de algumas variantes pode chegar a 40%.
Investigação internacional continua
A OMS, autoridades europeias e órgãos de saúde de diversos países seguem monitorando o caso e investigam como ocorreu a contaminação inicial dentro do navio.
Uma das hipóteses é que passageiros tenham sido expostos ao vírus durante excursões em áreas com presença de roedores na América do Sul. Outra linha investigada avalia a possibilidade de transmissão entre passageiros dentro da embarcação.


