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MP conclui que cachorro Orelha não morreu após agressão e pede arquivamento do caso em SC

O Ministério Público de Santa Catarina concluiu que o cachorro comunitário Orelha não morreu em decorrência de agressões praticadas por adolescentes, como apontava a investigação inicial da polícia.

Após analisar quase 2 mil arquivos digitais, vídeos, mensagens, fotos e laudos técnicos, o órgão pediu à Justiça o arquivamento do caso. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (12).

Caso teve repercussão nacional

A morte de Orelha, registrada em janeiro deste ano, ganhou repercussão em todo o país após a investigação apontar que o animal teria sido espancado por um grupo de adolescentes na Praia Brava.

Nome do Anunciante

Na ocasião, a Polícia Civil de Santa Catarina chegou a pedir a internação de um dos jovens apontados como principal agressor.

MP aponta “condição grave e preexistente”

Segundo a promotoria, os adolescentes e o cão “não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão”.

O órgão concluiu que a morte do animal posteriormente submetido à eutanásia ocorreu devido a uma condição grave de saúde preexistente, e não por violência.

O documento protocolado possui 170 páginas e foi apresentado ao Juízo da Vara da Infância e Juventude da comarca da capital catarinense.

Reconstituição mudou entendimento

De acordo com o MP, a reconstituição cronológica dos fatos foi decisiva para a mudança de entendimento.

A promotoria identificou inconsistências nos horários registrados pelas câmeras de segurança analisadas durante a investigação.

Segundo o órgão, havia uma diferença aproximada de 30 minutos entre os registros de diferentes sistemas de monitoramento, o que alterou significativamente a narrativa inicial.

Além disso:

  • não houve registro do cão na faixa de areia no horário indicado;
  • testemunhas afirmaram não ter visto Orelha na praia naquela manhã;
  • imagens mostraram que o animal ainda apresentava capacidade motora normal cerca de uma hora após a suposta agressão.

Exumação descartou sinais de violência

Laudos periciais produzidos após a exumação do corpo também contribuíram para o arquivamento.

Segundo o Ministério Público:

  • não foram encontradas fraturas;
  • não havia lesões compatíveis com agressão humana;
  • o animal sofria de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea grave e crônica.

Os exames também apontaram:

  • doença periodontal avançada;
  • inflamação antiga;
  • perda de pelos;
  • infecção prolongada abaixo do olho esquerdo.

O MP destacou ainda que o cachorro apresentava apenas um inchaço acentuado na cabeça e região ocular, sem outros sinais de violência física.

Corregedoria da Polícia Civil será acionada

Além do arquivamento do caso principal, o Ministério Público também encerrou o inquérito que investigava suposta coação de testemunhas por familiares dos adolescentes.

O órgão solicitou ainda:

  • envio dos autos à Corregedoria da Polícia Civil de Santa Catarina para análise de possíveis irregularidades na investigação;
  • apuração sobre eventual vazamento de informações sigilosas envolvendo adolescentes investigados.

Polícia Civil se manifesta

Em nota, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que concluiu o inquérito e encaminhou os autos ao Ministério Público, responsável por decidir sobre denúncia ou arquivamento.

A corporação destacou que atua de forma independente dentro das atribuições previstas em lei.

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