Julgamento durou cinco dias e também condenou principal acusado pelo crime que chocou o Amazonas
A Justiça do Amazonas condenou José Nílson Azevedo da Silva a 17 anos e 8 meses de prisão por participação no assassinato de Débora da Silva Alves, de 18 anos, ocorrido em 2023. A sentença foi anunciada na madrugada desta segunda-feira (1º), após cinco dias de julgamento pelo Tribunal do Júri.
O caso ganhou grande repercussão no estado pela brutalidade dos fatos e pela morte da jovem, que estava grávida quando foi assassinada.
José Nílson foi condenado pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe. Durante a sessão de julgamento, os jurados decidiram afastar duas qualificadoras apresentadas pela acusação e não reconheceram a prática de feminicídio em relação ao réu.

A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Timóteo Ágabo Pacheco de Almeida e André Epifânio Martins, representantes do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Principal acusado recebeu mais de 63 anos de prisão
Além da condenação de José Nílson, o Tribunal do Júri também sentenciou Gil Romero Machado Batista, apontado pelo Ministério Público como o principal responsável pelo crime.
Gil Romero foi condenado a 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
Somadas, as penas dos dois condenados ultrapassam 81 anos de prisão.
Conjunto de provas foi decisivo para a condenação
Na sentença, a Justiça destacou que a materialidade dos crimes foi comprovada por meio de diversos elementos reunidos ao longo das investigações.
Entre as provas analisadas estão laudos periciais, exame antropológico, certidão de óbito e relatórios técnicos produzidos pelas autoridades responsáveis pelo caso.
Também foram considerados depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança, dados de rastreamento e declarações prestadas pelos acusados durante a fase policial.
Segundo o magistrado, o conjunto probatório foi suficiente para comprovar a participação dos réus nos crimes investigados.
Jovem grávida foi assassinada em 2023
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Débora da Silva Alves foi morta em meados de 2023. As investigações apontaram que a vítima foi assassinada por asfixia com um fio elétrico.
A jovem estava grávida no momento do crime, circunstância que levou a acusação a incluir também o aborto provocado por terceiro entre os delitos atribuídos aos envolvidos.
O desaparecimento e a posterior descoberta do crime causaram forte comoção popular e mobilizaram as forças de segurança durante as investigações.
Ocultação de cadáver agravou repercussão do caso
As investigações revelaram ainda que, após o assassinato, houve uma tentativa de eliminar vestígios do crime.
Conforme a denúncia acolhida pela Justiça, o feto foi retirado do corpo da vítima e descartado em um rio. Em seguida, o corpo de Débora foi incendiado na tentativa de dificultar a identificação e a apuração dos fatos.
A ocultação de cadáver e a destruição de provas foram elementos importantes considerados durante o julgamento e contribuíram para a responsabilização dos acusados.
Caso chega a uma das etapas finais na Justiça
Com a condenação dos dois réus, a Justiça conclui uma das fases mais importantes de um dos casos criminais de maior repercussão dos últimos anos no Amazonas.
A decisão representa um desfecho significativo para o processo que investigou a morte de Débora da Silva Alves e do bebê que ela esperava, reafirmando a responsabilização dos envolvidos pelos crimes praticados.


