O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, na tarde de quinta-feira (16), após passar por audiência de custódia. Ele havia sido preso preventivamente na quarta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Investigação envolve esquema bilionário
A operação apura supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com as investigações, o BRB adquiriu ativos e carteiras de crédito da instituição entre julho de 2024 e outubro de 2025, em operações que teriam alcançado cerca de R$ 12,2 bilhões, apesar de pareceres técnicos e jurídicos contrários.
Decisão do STF aponta possível atuação deliberada
Na decisão que embasou a prisão, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que há indícios de que Paulo Henrique Costa teria atuado de forma consciente para favorecer o Banco Master, com possível obtenção de vantagens indevidas.

Mensagens analisadas pela investigação indicam proximidade entre o ex-presidente do BRB e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, incluindo tratativas para viabilizar operações entre as instituições.
Empresas de fachada e ocultação de patrimônio
Segundo o processo, o advogado Daniel Monteiro, também preso na operação, teria estruturado empresas de fachada para ocultar patrimônio e dar aparência de legalidade às transações financeiras investigadas.
As apurações apontam ainda negociações que envolveriam cerca de R$ 146 milhões em imóveis de luxo entre Vorcaro e o então presidente do BRB.
Justiça aponta risco de continuidade do esquema
Para o ministro André Mendonça, medidas cautelares alternativas não seriam suficientes diante da complexidade do esquema e da possibilidade de continuidade das práticas investigadas, incluindo lavagem de dinheiro.
A decisão será submetida à análise da Segunda Turma do STF, que deverá referendar ou não a medida.
Defesa contesta prisão
A defesa de Paulo Henrique Costa, representada pelo advogado Cleber Lopes, afirmou que a prisão é desnecessária e negou qualquer irregularidade por parte do ex-presidente do BRB.
Até o momento, o Banco de Brasília não se manifestou oficialmente sobre o caso.


