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A moradia no Brasil: mais aluguel, menos casas quitadas e aumento dos apartamentos nas cidades

De acordo com os dados mais recentes do IBGE, divulgados nesta sexta-feira (17), o Brasil ultrapassou a marca de 79 milhões de domicílios em 2025. No entanto, o perfil das moradias no país mudou significativamente nos últimos anos, com uma crescente tendência de aluguéis, diminuição das casas próprias quitadas e uma expansão dos apartamentos, especialmente nas capitais.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2025, 23,8% dos domicílios no Brasil, equivalente a 18,9 milhões de moradias, eram alugados. Esse número representa um aumento de 54,1% no número de imóveis alugados em comparação com 2016, quando a proporção era de 18,4% (12,3 milhões). Em contrapartida, a participação das moradias próprias quitadas caiu de 66,8% para 60,2% no mesmo período, evidenciando uma tendência contínua de redução.

O número de imóveis próprios ainda em financiamento permaneceu estável, passando de 6,2% para 6,8% entre 2016 e 2025. Contudo, um aumento de 15,9% foi observado entre 2024 e 2025, indicando maior dependência do crédito imobiliário, especialmente em um cenário de taxas de juros elevadas.

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Com a Selic em 15% ao ano em 2025, o custo do crédito imobiliário aumentou, dificultando o acesso à casa própria e forçando muitas famílias a adiar a compra do imóvel ou enfrentar dificuldades para quitar financiamentos. Isso ajudou a explicar o crescimento do aluguel e a redução das casas próprias quitadas.

Crescimento do aluguel nas regiões urbanizadas

O aumento do aluguel foi especialmente notável nas capitais, embora com variações entre as cidades. Em 2025, algumas capitais já tinham mais de um terço dos domicílios alugados. Palmas liderava com 47,3%, seguida por Florianópolis (36%), Goiânia (35,3%) e Brasília (34,5%).

Nas grandes metrópoles, o aluguel também cresceu. Em São Paulo, a proporção de domicílios alugados subiu de 26,4% em 2016 para 29,9% em 2025. No Rio de Janeiro, passou de 20,3% para 28,2%, e em Belo Horizonte, a taxa aumentou de 19,5% para 29,6%. Mesmo em cidades onde a casa própria ainda é predominante, como Belém, o aluguel aumentou significativamente, passando de 11,1% para 21,2%.

Esse crescimento está associado à concentração do patrimônio imobiliário, onde muitos novos apartamentos não são ocupados pelos donos, mas alugados. Isso leva a uma concentração maior de propriedades entre um número reduzido de pessoas, criando uma desigualdade no acesso à riqueza gerada pelo setor imobiliário.

Verticalização muda o perfil das capitais

Outro fator que tem alterado o perfil da moradia no Brasil é o aumento dos apartamentos, especialmente nas capitais. Em 2025, Porto Alegre já tinha a maioria de seus domicílios ocupados por apartamentos, com 52,1%. Vitória também apresentava uma proporção significativa, com 49,9%, e Belo Horizonte estava próxima de 50%, com 45,1%.

Em cidades como João Pessoa e Aracaju, a participação de apartamentos cresceu rapidamente, de 30% para 45,9% e de 26,8% para 39,6%, respectivamente. Mesmo em cidades onde as casas ainda dominam, como Manaus e Fortaleza, a participação de apartamentos aumentou.

Algumas capitais, no entanto, ainda mantêm um perfil mais horizontalizado. Campo Grande, Porto Velho e Rio Branco têm menos de 15% de apartamentos, refletindo um modelo urbano mais tradicional.

A verticalização, que permite concentrar mais moradias em áreas limitadas, tem sido estimulada pelo mercado imobiliário, já que edifícios oferecem maior rentabilidade para incorporadoras. Isso explica a expansão dos apartamentos em regiões urbanas, à medida que as cidades crescem e o espaço disponível para construção diminui.

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