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Justiça torna médica e enfermeira rés pela morte de menino em hospital particular de Manaus

Ação penal avança e acusações incluem homicídio qualificado e falsidade ideológica

A Justiça do Amazonas recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado (MP-AM) e determinou o prosseguimento da ação penal que apura a morte do menino Benício Xavier de Freitas, ocorrida em novembro do ano passado em um hospital particular de Manaus.

Com a decisão, assinada pelo juiz Fábio César Olintho de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, a médica Juliana Brasil Santos e a enfermeira Raíza Bentes Praia passam oficialmente à condição de rés e responderão criminalmente pelas acusações relacionadas ao caso.

Segundo o magistrado, a denúncia apresentada pelo Ministério Público atende aos requisitos legais e apresenta elementos suficientes para o prosseguimento do processo, permitindo a análise detalhada dos fatos durante a fase de instrução criminal.

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Ministério Público aponta suposta superdosagem de adrenalina

De acordo com a acusação, a médica Juliana Brasil Santos teria emitido uma prescrição eletrônica contendo uma dosagem excessiva de adrenalina para administração intravenosa no paciente.

Ainda conforme a denúncia, a medicação foi aplicada pela enfermeira Raíza Bentes Praia seguindo a orientação registrada no prontuário médico.

Para o Ministério Público, a quantidade administrada teria provocado a morte de Benício. A acusação sustenta que as rés agiram com dolo eventual, entendimento jurídico aplicado quando o agente assume o risco de produzir determinado resultado, mesmo sem desejar diretamente sua ocorrência.

O órgão ministerial também enquadra o caso como homicídio qualificado pelo emprego de veneno, circunstância que será analisada ao longo da tramitação do processo.

Médica também responderá por falsidade ideológica

Além da acusação de homicídio qualificado, a médica Juliana Brasil Santos responderá pelo crime de falsidade ideológica.

Segundo o Ministério Público, a profissional teria utilizado documentos, receituários e carimbos informando possuir especialização em pediatria sem dispor do respectivo Registro de Qualificação de Especialista (RQE).

A denúncia aponta dez supostas ocorrências relacionadas a essa conduta. A veracidade das acusações será analisada durante o andamento da ação penal.

Parte das investigações foi arquivada

Na mesma decisão, a Justiça homologou o arquivamento parcial das investigações envolvendo outras pessoas inicialmente citadas no inquérito.

Com isso, gestores da unidade hospitalar e médicos plantonistas que chegaram a ser investigados não responderão criminalmente pelos fatos apurados no caso.

Também foram arquivadas as suspeitas de fraude processual e uso de documento falso atribuídas à médica.

Dessa forma, a ação penal seguirá exclusivamente contra Juliana Brasil Santos e Raíza Bentes Praia.

Pais de Benício participarão do processo

A Justiça também autorizou a habilitação dos pais da criança, Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier de Carvalho, como assistentes de acusação.

A medida permitirá que os familiares acompanhem de forma mais próxima o andamento do processo e atuem em colaboração com o Ministério Público durante a tramitação da ação penal.

A participação de assistentes de acusação é prevista pela legislação brasileira em determinados processos criminais e tem como objetivo complementar a atuação da acusação pública.

Imagens da vítima continuarão sob sigilo

Embora tenha flexibilizado parcialmente o segredo de Justiça imposto durante a fase de investigação, o magistrado determinou que vídeos, fotografias e demais registros que mostrem a criança em estado grave ou após o falecimento permaneçam protegidos por sigilo judicial.

Segundo a decisão, a medida busca preservar a dignidade da vítima e evitar sofrimento adicional aos familiares diante da exposição de conteúdos sensíveis.

Defesa tem pedido rejeitado

Durante a análise inicial do processo, o juiz também negou um pedido apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil.

Os advogados solicitaram a limitação e individualização de parte das testemunhas indicadas pelo Ministério Público para serem ouvidas durante a instrução criminal.

No entanto, o magistrado entendeu que a lista apresentada pela acusação está de acordo com os parâmetros estabelecidos pela legislação processual penal e autorizou a manutenção integral do rol de testemunhas.

Próximas etapas do processo

Com o recebimento da denúncia, a Justiça determinou a citação formal das duas acusadas para apresentação de resposta escrita às acusações no prazo de dez dias.

Caso as rés não sejam localizadas pelos meios convencionais, o magistrado autorizou a realização de citação por edital.

Após essa etapa, o processo entrará na fase de instrução, quando serão ouvidas testemunhas, analisadas provas e apresentados os argumentos da acusação e da defesa.

Ao final dessa fase, a Justiça decidirá se as acusadas serão levadas a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.

Enquanto o processo segue em tramitação, as acusações permanecem sob análise judicial e caberá ao Poder Judiciário decidir sobre eventual responsabilidade criminal das rés pelos fatos investigados.

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