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Países da América Latina reduzem jornada de trabalho enquanto Brasil debate fim da escala 6×1

A discussão sobre redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1 voltou a ganhar força no Brasil e pode aproximar o país de uma tendência já adotada por outras nações da América Latina.

Nos últimos anos, países como Colômbia, Chile e México aprovaram leis que diminuem o número de horas trabalhadas por semana sem redução salarial. Enquanto isso, o debate brasileiro segue dividindo empresários, sindicatos e especialistas em economia.

Atualmente, a jornada semanal no Brasil é de 44 horas, modelo definido desde a Constituição de 1988. A proposta em discussão prevê a redução para 40 ou até 36 horas semanais.

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Colômbia reduziu jornada para 42 horas

Na Colômbia, a redução da jornada de trabalho começou a ser implementada em 2021, durante o governo do então presidente Iván Duque. A carga horária caiu gradualmente de 48 para 42 horas semanais.

A mudança foi aprovada sem redução de salário e será concluída oficialmente em julho deste ano.

Especialistas apontam que a decisão aconteceu em meio à forte pressão popular após os protestos sociais que tomaram conta do país em 2019 e 2021.

Além da redução da jornada, o atual governo de Gustavo Petro também aprovou novas regras trabalhistas, incluindo aumento do adicional noturno e maior pagamento por horas extras em domingos e feriados.

México caminha para semana de 40 horas

O México também entrou na lista de países latino-americanos que decidiram diminuir o tempo de trabalho semanal.

A reforma foi promulgada este ano pela presidente Claudia Sheinbaum e prevê a redução gradual das atuais 48 para 40 horas semanais até 2030.

Segundo analistas políticos mexicanos, a alta popularidade do governo ajudou na aprovação da medida, mesmo diante de críticas de setores empresariais.

Chile aposta em redução gradual

No Chile, a redução da jornada foi sancionada em 2023 pelo presidente Gabriel Boric.

O país já diminuiu a carga semanal de 45 para 42 horas e pretende alcançar o limite de 40 horas até 2028.

Assim como na Colômbia, especialistas relacionam a mudança às grandes manifestações populares que ocorreram no país em 2019, quando milhares de pessoas foram às ruas contra desigualdades sociais e econômicas.

Debate divide opiniões no Brasil

No Brasil, propostas de redução da jornada e fim da escala 6×1 vêm sendo defendidas por movimentos trabalhistas, sindicatos e parte do Congresso Nacional.

Os defensores argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida, reduzir o desgaste físico e mental e aumentar a produtividade dos trabalhadores.

Já representantes do setor empresarial afirmam que a mudança pode elevar custos para empresas, impactar a inflação e afetar a geração de empregos.

Pesquisas econômicas ainda divergem sobre os possíveis efeitos da proposta no Produto Interno Bruto (PIB) e no mercado de trabalho brasileiro.

Tendência internacional

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda jornadas próximas de 40 horas semanais e afirma que modelos mais flexíveis vêm sendo adotados em diversos países para equilibrar produtividade e qualidade de vida.

Na América Latina, a redução da carga horária já começa a ser vista como uma tendência regional.

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